A princípio, a decisão não é aleatória. Para Lula, o Rio Grande do Norte é um estado estratégico que apresenta um risco real ao PT.
A escolha foi uma tentativa de “bombar” a candidatura de Cadu Xavier ao governo estadual, que patina nas pesquisas e é pouco conhecido do eleitorado . A ideia é reeditar o efeito que sua presença teve na Bahia em 2022, quando ajudou a eleger Jerônimo Rodrigues.
Além disso, Lula aproveitou a agenda para reforçar a articulação política com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que o acompanhou na viagem para discutir pautas prioritárias do governo.
Flávio Bolsonaro escolheu Alagoas, o reduto eleitoral de seu vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) .
Ao mesmo tempo, a escolha da capital, Maceió, também é simbólica: foi a única capital nordestina onde Jair Bolsonaro venceu Lula em 2022 .
Apesar da derrota no estado como um todo (56,50% para Lula contra 36,05% de Bolsonaro), o desempenho na capital é um ponto de partida para tentar reduzir a vantagem histórica do petista na região.
Antes de mais nada, o Nordeste é o grande tabuleiro da eleição. Enquanto Lula busca não apenas vencer, mas também carregar seus aliados estaduais, Flávio Bolsonaro tenta furar a bolha petista em uma região onde seu pai teve desempenho desfavorável.
Lula: Precisa garantir que seu apoio se converta em votos para os candidatos locais, evitando cenários de derrota que possam enfraquecer sua base de sustentação no Congresso.
Flávio Bolsonaro: Sabe que a vitória presidencial passa por reduzir a vantagem de Lula no Nordeste. A estratégia é construir pontes com lideranças regionais e apresentar uma imagem de compromisso com a região.
Em suma, para o bolsonarismo, a conquista de Maceió em 2022 é um sinal de que é possível avançar no Nordeste. Para Lula, a viagem ao Rio Grande do Norte é um alerta: o apoio no Nordeste não pode ser dado como garantido e precisa ser trabalhado diariamente.